Apesar de ainda recordar do famoso adágio que reza a falta de razoabilidade das discussões sobre política, futebol e religião, vou me aventurar por essa última categoria motivada pelo trecho do livro “He”, de Robert A. Johson, o qual segue a linha junguiana e que acabei de ler, bem como por discussões recentes que vinha tendo com Thiago, sempre em torno da necessidade de algum tipo de “ópio” que transmitisse regras sociais pertencentes a um âmbito tão peculiar de nossa condição humana que não pudessem ser exigidas por leis – desconsiderando análises que poderiam se seguir acerca da crescente politização do Poder Judiciário e da introdução cada vez maior de valores arraigados na sociedade nos ordenamentos legais e jurídicos. Segue o trecho em questão:
A primeira consideração elaborada a partir da leitura desse excerto textual foi o confronto com o símbolo da pura e virginal Maria, exemplo máximo de castidade e de mãe imposto às mulheres em contraposição ao símbolo da puta, da Madalena. Então há algo de diferente para ser hermeneuticamente trabalhado nesse mito da maternidade sem sexo, que por bastante tempo acreditei ser apenas mais uma das falácias machistas? O desenvolvimento da minha consideração inicial foi confirmado por trechos posteriores da mesma obra: a cultura ocidental passa por um momento de feminilização, tendo em vista que características antes negadas ou desvalorizadas por serem designadas como femininas pelos processos de socialização estão sendo reconsideradas e incorporadas ao convívio social como de grande valia. Exultaremos mulheres em nossas religiões, conclamaremos a população a ser mais carinhosa, solidária, prestativa, dedicada ao próximo. Mas, infelizmente, também iremos exigir maior vaidade.
Uma segunda releitura do mito da gravidez de Maria, mãe de Jesus, deixando de lado a percepção de mudanças sociais para o gênero feminino, traz mais precisamente a problemática da religião. As crenças religiosas de hoje em dia versam tanto sobre leis externas, sobre leis de comportamento relacional, que conflitam com as regras institucionalmente concebidas para esse fim (que o diga a recente ação de decumprimento de preceito fundamental que discute a antecipação teraeutica do parto de fetos anencéfalos, considerada um pecado por vária igrejas). Avançam em um âmbito que lhes deveria ser alheio, pois é nele que atuam como ópio, como cegueira que obscurece a compreensão de fatos que devem ser dialogicamente construídos no espaço público e não dogmaticamente impostos. Esquecem que um outro âmbito, um de nível interno, fica completamente à mercê do descuido de cada indivíduo.
Ótima reflexão para o último dia do ano... que nós aprendamos a fazer Jesus nascer em cada um de nós.
“Pode-se pensar em muitos conceitos de âmbito espiritual que foram invalidados por terem sido tomados como externo, ao invés de internos. O nascimento de uma criança de mãe virgem é um deles. Este fato contém um poderoso significado para qualquer um que sesteja caminhando por seu processo de individuação, porque ele nos fala do evento miraculoso – o nacimento de Cristo dentro de nós - que acontece através do relacionamento dos poderes divinos com a eterna alma humana”.
A primeira consideração elaborada a partir da leitura desse excerto textual foi o confronto com o símbolo da pura e virginal Maria, exemplo máximo de castidade e de mãe imposto às mulheres em contraposição ao símbolo da puta, da Madalena. Então há algo de diferente para ser hermeneuticamente trabalhado nesse mito da maternidade sem sexo, que por bastante tempo acreditei ser apenas mais uma das falácias machistas? O desenvolvimento da minha consideração inicial foi confirmado por trechos posteriores da mesma obra: a cultura ocidental passa por um momento de feminilização, tendo em vista que características antes negadas ou desvalorizadas por serem designadas como femininas pelos processos de socialização estão sendo reconsideradas e incorporadas ao convívio social como de grande valia. Exultaremos mulheres em nossas religiões, conclamaremos a população a ser mais carinhosa, solidária, prestativa, dedicada ao próximo. Mas, infelizmente, também iremos exigir maior vaidade.
Uma segunda releitura do mito da gravidez de Maria, mãe de Jesus, deixando de lado a percepção de mudanças sociais para o gênero feminino, traz mais precisamente a problemática da religião. As crenças religiosas de hoje em dia versam tanto sobre leis externas, sobre leis de comportamento relacional, que conflitam com as regras institucionalmente concebidas para esse fim (que o diga a recente ação de decumprimento de preceito fundamental que discute a antecipação teraeutica do parto de fetos anencéfalos, considerada um pecado por vária igrejas). Avançam em um âmbito que lhes deveria ser alheio, pois é nele que atuam como ópio, como cegueira que obscurece a compreensão de fatos que devem ser dialogicamente construídos no espaço público e não dogmaticamente impostos. Esquecem que um outro âmbito, um de nível interno, fica completamente à mercê do descuido de cada indivíduo.
Ótima reflexão para o último dia do ano... que nós aprendamos a fazer Jesus nascer em cada um de nós.
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